Doze de junho é a data conhecida como Dia dos Namorados - junto com o Dia das Mães é a que mais
lucro gera para o comércio. Véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, a data foi provavelmente introduzida no Brasil por João Dória (publicitário baiano), em 1949, para atender aos interesses de uma loja de departamento paulista.
Se pensarmos como a lógica da sociedade capitalista pode ser aplicada a este dia para ajudar a entender sua dimensão racional, a coisa fica assim: o romantismo (entendido como manifestação estética e ideológica própria da burguesia) faz com a relação amorosa o mesmo que faz com outros elementos, como a pátria, a sociedade, o povo etc., isto é, a visão romântica idealiza estes elementos. Idealizar é conferir perfeição, pureza, heroísmo, gigantismo, transcendência a coisas que são simplesmente naturais ou humanas, ou seja, coisas que são imperfeitas, impuras, medíocres, miúdas, telúricas (e isto não é defeito, apenas é assim que as coisas são, sem o cosmético da fantasia).
Se pensarmos como a lógica da sociedade capitalista pode ser aplicada a este dia para ajudar a entender sua dimensão racional, a coisa fica assim: o romantismo (entendido como manifestação estética e ideológica própria da burguesia) faz com a relação amorosa o mesmo que faz com outros elementos, como a pátria, a sociedade, o povo etc., isto é, a visão romântica idealiza estes elementos. Idealizar é conferir perfeição, pureza, heroísmo, gigantismo, transcendência a coisas que são simplesmente naturais ou humanas, ou seja, coisas que são imperfeitas, impuras, medíocres, miúdas, telúricas (e isto não é defeito, apenas é assim que as coisas são, sem o cosmético da fantasia).
O amor idealizado estabelece limites inatingíveis e irreais: duração eterna, harmonia plena,
fidelidade até no pensamento, sorrisos 24 horas, tudo didaticamente concentrado na fórmula
dos contos de fada (aburguesados): "... e viveram felizes para
sempre".
Não por acaso, esta
sociedade é congenitamente neurótica, uma vez que viver impondo a si e aos demais a busca
por objetivos impossíveis de se atingir só pode gerar frustração, decepção e
psicopatias de todo tipo (ainda bem que tem o psicólogo e a farmácia da esquina para aliviar).
Comércio e
propriedade individual. Estes dois elementos são fundamentais na distinção
entre a sociedade burguesa e a, digamos, "feudal" (medieval) que
antecedeu aquela.


