24 de março de 2014

MARCHAS PRA QUE TE QUERO

Dia 22 de março de 2014, 50 anos após o evento que ficou conhecido como Marcha da Família com Deus e Pela Liberdade, aconteceram em algumas cidades brasileiras uma reedição das marchas de 64. 
Em linhas gerais, o número de participantes foi baixíssimo, sendo que São Paulo [leia texto sobre  a Marcha em SP - do Blog da Cidadania] conseguiu arregimentar o maior número de participantes, de 500 a 700 pessoas, dependendo de quem olha e conta, claro. Mas para uma cidade cosmopolita e gigantesca como São Paulo, 1000 pessoas é quase nada. Ou, se quiserem, muito pouco.

VÍDEO SOBRE A MARCHA EM SÃO PAULO (do Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães)

Há um lado sinistro, deplorável, desanimador de tudo isso, se levarmos em conta, por exemplo, o fato de os manifestantes irem às ruas pedindo intervenção militar, deposição da presidente Dilma, defendendo um possível golpe militar com a frágil desculpa de que assim estaríamos "moralizando" o país. Nada mais anacrônico, reacionário e grotesco que tais pontos de vista. 

10 de março de 2014

SOB A NÉVOA DA GUERRA: ONZE LIÇÕES DA VIDA DE ROBERT S. McNAMARA


Robert McNamara participou da Segunda Guerra Mundial, foi presidente das indústrias Ford e Secretário de Defesa nos governos John Kennedy e Lyndon Johnson.
Figura polêmica e extremamente influente, McNamara participou ativamente e teve papel de destaque (e de decisão) em vários conflitos marcantes no século XX: a Segunda Guerra Mundial, os mísseis em Cuba, a guerra no Vietnã dentre outros. 
Em depoimentos francos e emocionados (mas cauteloso ao extremo), McNamara dá sua versão dos fatos, assume seus erros, justifica-se e procura mostrar ser coerente, eficaz e patriótico.
Se para alguns o estilo pró-entrevistado pode incomodar, para outros o documentário se destaca pela importância da figura pública e pelo modo quase didático com que os fatos e os argumentos vão sendo revelados.
Ótimas imagens, montagem segura e uma trilha sonora de qualidade fazem deste documentário uma obra que merece ser vista e revista.


FICHA TÉCNICA:
Gênero: Documentário
Duração: 95 minutos
Direção: Errol Morris
Música: Philip Glass
Ano de Lançamento: 2003
Filme vencedor do Oscar de Melhor Documentário

4 de dezembro de 2013

DOCUMENTÁRIO: O HOMEM PRÉ-HISTÓRICO: VIVENDO ENTRE FERAS (4 partes)

Este documentário (em quatro partes) faz uma série de especulações baseadas nos conhecimentos científicos acerca dos agrupamentos humanos pré-históricos. Procura  mostrar como as descobertas e invenções da pedra lascada e do fogo, por exemplo, proporcionaram saltos enormes no desenvolvimento da espécie e no domínio da natureza.


30 de novembro de 2013

AS MADRES TERESAS DE CONDOMÍNIO


Se tem uma coisa que a classe média urbana desconhece, na qual é completamente ignorante, é o tal do “povo”. E é preciso colocar essa palavrinha entre aspas porque ela em si não quer dizer coisa alguma. Por povo, ali, deve-se entender a multidão de pobres e trabalhadores de baixa renda espalhados pelos Brasis de cima a baixo.
O termo “povo” é uma dessas palavras-bombril, tem mil e uma utilidades, mas seu valor é de uma inconstância terrível, variando da positividade emotiva de “somos um povo alegre” até a negatividade mais rasteira da atemporal “o povo não sabe votar”. E ainda tem um detalhe: no primeiro caso, o povo somos “nós”, no segundo, são “eles”.
Mas eu falava da burrice da classe média urbana em matéria de povo e vou explicar. O indivíduo que mora em apartamento e estudou em escolas caras só conhece o tal de povo pela telenovela e pelo telejornal, nas crônicas do Jabor e nos bons-dias e boas-noites que dá para o porteiro. Nada mais artificial e enganador para entender o tal do povo do que observá-lo nesses lugares. Na TV e na imprensa, o povo aparece como um bando de imbecis alienados, festivos em dia de jogo de futebol, trágicos na entrevista após as enchentes ou ridículos quando explorados em programas de auditório. Mas esta versão fictícia agrada em cheio à mentalidade do homem ilustrado, porque este precisa desesperadamente se sentir diferente do tal do “povo em negativo”, precisa se sentir mais inteligente, informado e civilizado. Para atender essa fantasia classista a que precisa se agarrar como o náufrago no pedaço de pau, a imprensa e a indústria do entretenimento fabricam suas caricaturas para consumo do bom burguês.
Mas tem também o classe média sensível e “cabeça”, que diz adorar o povo, entendê-lo e ajudá-lo (só esquece de perguntar se o dito povo está interessado em sua ajuda). Para este ser de espírito elevado o pobre é um coitadinho, uma vítima do sistema, um mendigo de tudo: dinheiro, cultura, bom gosto, bons modos. Outra balela. No seu afã de praticar boas ações ele se junta a outros comovidos filantropos e vai em busca do zé povinho. Alguns ofertam sopa e cesta básica e vão dormir aliviados, outros acham que levar balé e orquestra para a favela é a maior das gentilezas. Nada mais ofensivo, arrogante e autoritário do que achar que o que o pobre precisa é ouvir Tom Jobim ou Vivaldi para virar gente. Na cabeça esfumaçada da classe média urbana, além das confusas noções que ela tem de liberdade e conhecimento, fermenta a ideia de que o que o povo mais almeja na vida é morar no apartamento em que ela mora, estudar em sua escola, comer no seu restaurante e ver os filmes que ela vê. O ser urbano imagina que tudo o que o pobre quer é virar ele também um classe média. Nada mais equivocado que isso.
O pobre quer mais dinheiro sim, quer mais conforto, quer mais comida, diversão e arte, como diz a música. Mas não a comida a diversão e a arte que são servidas ao pequeno e grande burgueses. O pobre não quer morar no condomínio de luxo, não quer ir ao teatro assistir ‘stand up’, não quer ouvir Ivan Lins. Mas o aburguesado sensível não sabe disso e na sua fantasia apalermada de madre Teresa de Calcutá humilha, ofende, engessa e rebaixa o pobre com seus eventos, projetos, com sua retórica de almanaque e sua generosidade inútil. 

26 de outubro de 2013

RUMOS DO SÉCULO XXI

Talvez estejamos mesmo atravessando a fronteira que separa a Idade Moderna (ou Contemporânea) de uma Nova Era. O mundo marcado pelo humanismo, antropocentrismo, racionalismo e pela predomínio das democracias liberais tem dados sinais de que está prestes a ruir, pois muitas de suas bandeiras veem a cada ano perdendo sentido, prestígio e sendo questionadas ou substituídas por outras. 
O mundo que gerou um tipo específico de comportamento social, familiar, religioso, cultural, político, econômico, estético, moral... praticamente não existe mais, o que resta dele são sombras, memórias e rituais que cada vez mais soam inoportunos ou inadequados. 
As reações que se levantam hoje contra as novidades na medicina, na tecnologia, na política, na mídia, podem ser percebidas como sintomas desse mundo antigo que não aceita ser substituído por seu sucessor.
Se você pretende viver sem preocupações e aborrecimentos, então esteja preparado para implantes de chips e ultravigilância pessoal, comércio legal de órgãos humanos, banalização da sexualidade (sem erotismo), ética narcísica, democracia totalitária (é, isto é possível), demonização da família nuclear, fascismo de grupos institucionalizados etc. etc.
Aos últimos dos humanistas, meu saudoso adeus, aos novos habitantes do planeta Guerra, divirtam-se.

SINTOMAS DA FRONTEIRA ENTRE ERAS:



18 de outubro de 2013

MASSAS ACÉFALAS?



Os protestos de junho geraram uma infinidade de interpretações. Para alguns, houve ali uma revolução radical, para outros, tudo não passa de um ato de rebeldia juvenil sem causa, há ainda quem vê fascismo, alienação, comportamento de ultra-direita...
De fato, como são múltiplas as reivindicações, algumas pontuais outras vagas, como são diversos os grupos participantes, de neo-anarquistas ao chamado "lumpesinato", é mesmo difícil dar uma única explicação para os acontecimentos. E como somos desejosos em atribuir uma causa e um sentido para as coisas, ficamos aturdidos diante de tantas causas e sentidos ou, pior ainda, da ausência deles. 
Mas uma coisa é preciso ressaltar: a manifestação violenta de populares não é algo novo, ela é recorrente nos países ocidentais há muito tempo, principalmente a partir do século XVIII, em que a concentração gradativa de grandes massas nas cidades e a progressiva experiência política foram desenvolvendo uma espécie de pedagogia do uso do espaço público. 

30 de setembro de 2013

INFÂNCIA (TEXTO GRÁFICO)

Nos anos 80 eu fiz algumas experiências com os fanzines e zines. Uma das que mais gostei foi o "Diário", narrativa lírica que se casava com ilustrações que reforçavam ou complementavam o conteúdo. 
A web fez o suporte zine perder um pouco sua finalidade e todo mundo começou a migrar para os blogues e redes sociais.
Este ano resolvi dar continuidade àquela experiência, mas agora fazendo uso de ferramentas digitais. Daí surgiu este "Infância", texto gráfico feito em Power Point, salvo como pdf e postado usando o PageFlip. 
A ideia é continuar experimentando e ver até onde se pode ir.

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